Weingut Heinrich

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Poucos nomes carregam tanto peso no vinho austríaco moderno quanto o de Gernot e Heike Heinrich. A história começa cedo: Gernot fez sua primeira safra em 1985, aos 21 anos, na vinha da família em Gols, às margens do Lago Neusiedl, e em 1989 fundou a Weingut Heinrich com apenas 1 hectare de videiras. Hoje são 85 hectares próprios, e uma das casas mais aclamadas da Áustria.

Foram dos primeiros produtores da região a abandonar a lógica dos brancos simples e a apostar em tintos e brancos de alta qualidade, enxergando cedo o enorme potencial das castas autóctones de Burgenland, a Blaufränkisch, a Zweigelt e a St. Laurent, que hoje são a identidade do lugar.

Desde 2006, a viticultura é orgânica e biodinâmica, por convicção absoluta: o casal foi um dos membros fundadores da respekt-BIODYN, a associação de biodinâmica da Áustria. Para Gernot, os grandes vinhos só expressam um verdadeiro senso de lugar quando nascem de um ambiente biologicamente diverso, com as videiras vivendo em simbiose com um ecossistema saudável. Por isso, plantou arbustos, moitas e árvores frutíferas entre as vinhas, para abrigar a fauna benéfica; o trabalho é todo manual e, na adega, moderna, operada inteiramente por gravidade, a regra é a mínima intervenção possível. As grandes ânforas, aliás, substituem cada vez mais os pequenos barris de madeira: Gernot acredita que é nesses recipientes que os vinhos demonstram melhor suas características.

Se a biodinâmica foi a primeira virada, 2014 foi a segunda. Um dos anos mais frios que Gernot já vivenciou resultou em vinhos que expressavam o terroir de maneira mais acentuada, exatamente o que ele sempre buscou. Aquela safra virou escola: os vinhos de hoje são um reflexo de precisão, frescor e drinkability.

As uvas vêm de vinhedos que se espalham por todo o norte do Lago Neusiedl, já na divisa com a Eslováquia e a Hungria, e é o contraste entre os dois lados do lago que dá amplitude à gama. No lado oeste, nas encostas das Montanhas Leitha (o Leithaberg), os solos são de calcário e xisto, sob clima continental de dias ensolarados e grande amplitude térmica: condição ideal para frescor e tensão. No lado leste, as vinhas crescem sobre os solos de cascalho da Planície de Parndorf (Parndorfer Platte) e os solos ricos em húmus do Heideboden, num clima quente e ameno, moldado pelo lago, que traz maturação e generosidade.

Vinhos que são, antes de tudo, um lugar traduzido na taça.

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